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Avaliação neuropsicológica de autismo em mulheres

A avaliação de autismo em mulheres pode ser desafiadora, pois os sintomas podem ser diferentes dos observados em homens autistas. As mulheres podem apresentar sintomas mais sutis, como dificuldade em fazer amigos e interagir socialmente, que podem ser erroneamente interpretados como timidez ou ansiedade social.

Além disso, algumas mulheres autistas podem desenvolver estratégias de coping para mascarar seus sintomas de autismo, o que pode dificultar ainda mais a avaliação. Essas estratégias incluem copiar comportamentos sociais, manter uma rotina restrita e evitar situações que possam ser estressantes ou desconfortáveis.

Para uma avaliação precisa de autismo em mulheres, é importante que os profissionais de saúde e psicólogos estejam cientes das diferenças. As mulheres com autismo muitas vezes apresentam sintomas diferentes dos homens, o que pode dificultar o diagnóstico. Alguns dos sintomas comuns em mulheres com autismo incluem:

1) Dificuldade em se conectar com outras pessoas, incluindo dificuldade em entender as emoções e intenções dos outros;

 2) Preocupação ou interesse intenso em certos assuntos, como animais, música ou matemática;

 3) Sensibilidade sensorial aumentada, incluindo reação forte a sons, luzes ou certos tecidos;

 4) Dificuldade em lidar com mudanças de rotina ou situações imprevistas;

 5) Dificuldade em interpretar expressões faciais e linguagem corporal, bem como em utilizar essas habilidades para se comunicar;

 6) Ansiedade social, incluindo medo de ser julgada ou rejeitada pela sociedade;

 7) Dificuldade em manter amizades próximas e relacionamentos;

 8) Comportamentos repetitivos como balançar o corpo ou bater a cabeça.

 É importante notar que nem todas as mulheres com autismo apresentam todos esses sintomas, e que alguns sintomas podem ser mais leves ou mais graves em diferentes indivíduos.

“Me chamo lzabela, tenho 19 anos e fui diagnosticada como pessoa autista há uns 4 meses e desde então tudo fez sentido, além de me organizar, agora consigo entender meus limites e respeitá-los! Hoje tudo faz sentido na minha vida. E além de tudo hoje as pessoas conseguem me respeitar pelos limites que imponho por me respeitar!”

“Eu sou a Maria Clara e sou autista de nível 1 de suporte. Desde muito pequena, sempre me senti muito diferente e inferior comparada às outras crianças. Sempre senti que não me encaixava nos termos sociais e que algo estava errado comigo. Há dois anos, estando com 18 anos, fui diagnosticada com autismo. lsso foi um choque para mim, pois ainda tinha um pouco de preconceito com este assunto, não acreditava que eu era neurodivergente. Mas com o tempo e a ajuda psicológica fui aceitando o fato de que meu cérebro funciona diferente das outras pessoas, e está tudo bem, na verdade até me sinto um pouco especial agora. Depois de muita pesquisa e tentando entender meu diagnóstico, fui percebendo o quão especial eu sou e que não há nada de errado comigo, e sim que é só uma forma diferente de como eu penso e ajo. Acabei encontrando respostas que eu procurava na minha vida até então, tais como: “Porque sou assim?”, “Por que penso dessa forma?’, e as respostas se encaixaram e assim não sinto mais vergonha de como eu sou”

“Meu nome é Mariana, tenho 29 anos e sou autista nível 2 de suporte. Eu sempre fui uma pessoa solitária e sempre me senti diferente das outras. Na infância era taxada pelos parentes como chata, enjoada, nojentinha, porque não gostava de socializar e muito menos de comer na casa dos outros. Na adolescência sofri bullying na escola, todo o tipo de humilhação, agressão e intimidação que possam imaginar. O que me levou a uma tentativa de suicídio aos 17 anos. Ao chegar à vida adulta as coisas só pioraram, eu não conseguia trabalhar, lidar com pessoas e sempre me sentia uma fracassada. O único trabalho em que eu realmente me saía bem e gostava era o de babá. Cuidei de muitos bebês e crianças e sempre fui muito bem indicada e elogiada, mas trabalhar de babá não é bem visto na sociedade e isso me incomodava. Comecei faculdade e desisti, aliás desisti de muitas coisas, eu sempre desistia de tudo e depois sofria muito. Em novembro de 2022, aos 29 anos e mais uma vez no fundo do poço, procurei a Dra. Aline Matias, psiquiatra. A intenção era só ajustar meus medicamentos, mas a Dra. notou em mim comportamentos que nunca ninguém havia notado. Depois de eu ter contado toda minha vida para aquela estranha (risos), ela me interrompeu e perguntou: “Mariana, você notou que você contou sua vida toda para a minha estante? Você não olhou para mim nenhuma vez desde que entrou aqui.”. E então ela me explicou sobre o Transtorno do Espectro Autista e a possibilidade de eu estar no espectro. O que não foi uma surpresa porque eu já havia me questionado sobre isso, porque já tinha cuidado de crianças autistas e eu me via muito naquelas crianças, mas também pensava que era só coisa da minha cabeça. Fui encaminhada para a neuropsicóloga Josilda Lima para realizar uma avaliação neuropsicológica e o diagnóstico veio. Ouvir o diagnóstico de autista foi libertador, foi o momento mais incrível da minha vida. Foi como tirar um peso das minhas costas, o peso de não saber quem é. Agora eu me sinto livre para ser quem eu realmente sou, para viver minha vida do meu jeitinho, sem ter que mascarar meus comportamentos para poder me encaixar em algum lugar. Desde o diagnóstico até agora se passaram poucos meses, mas minha vida se transformou, comecei a faculdade de Pedagogia, consegui uma oportunidade de emprego com crianças e um propósito na educação especial. Hoje me sinto realizada e feliz.”

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