
Na verdade, eu deveria começar a escrever sobre 2021, quando voltei para o brasil, ano de perdas incalculáveis perdi dois irmãos, fiquei sem meu projeto profissional que era “a menina dos meus olhos”; ano em que recomecei do zero! em maio de 2021, com apoio de meu esposo (amigo de todas as horas) e família abri o NEACA- núcleo de estudos em análise do comportamento aplicada, com a finalidade de treinar e formar profissionais em aba.
Além das avaliações em neuropsicologia, iniciei ciclos de palestras para explicar como é o trabalho de atendimento aba e como funciona as avaliações de diagnósticos diferenciais. E nesse momento estava sozinha profissionalmente, mas foi ai que iniciou-se o ciclo de separação do joio e do trigo. Fiquei sem muitas coisas, mas conheci gente do bem, pessoas queridas reaproximaram, e, em junho de 2021 a Dani (meu braço direito) voltou para fernandópolis! Começamos nossa jornada em atendimento clínico em ABA. Passamos um ano planejando expandir sem perder a qualidade, e hoje as fotos de nossos parceiros de trabalho e o depoimento das mães é nosso certificado de garantia. Trabalho de excelência para colocar fernandópolis num patamar elevado em atendimento clínico em ABA. Parabéns a equipe NEACA e, obrigada papais e mamães pela confiança depositada. Dois mil e vinte e três será melhor ainda!
NATÁLIA: “- Muitas de nós mulheres (e porque não dizer muitos homens também) sonham em ter filhos. As meninas começam o cuidar de cedo, cuidando da boneca e exercendo as múltiplas atividades que a maternidade exige – a professora, a médica, a cozinheira. Depois que crescem, esse desejo se torna mais pungente. Comigo e com meu marido não foi diferente. Depois de um tempo de casamento, aquele desejo começou a permear nossos pensamentos. Então depois de um tempo vem nosso primeiro filho. Uma alegria inexplicável ter seu filho em seus braços. Primeiro choro, primeiro banho, e também muitas noites sem dormir. Tudo tão intenso. Maternidade é uma entrega total. Depois de um tempo ele foi crescendo, lindo, inteligente, vívido e começa o pedido – “quero um irmão”. Confesso que a ideia já vinha rondando minha mente, idade boa para nosso segundo filho. Então nasce meu pequeno Mateus. Tão perfeito. A segunda maternidade tem algumas vantagens, estamos mais tranquilas, mais seguras. Está tudo bem, normalmente até os 6 meses de vida. Desenvolvimento perfeito, tudo certo.
Depois de um tempo um alerta de mãe pois de um tempo – tem algo diferente. No início não dá para especificar. Mas o coração avisa para ficar atenta. Lá pelos 9 meses, a vovó, com todo jeitinho, diz que percebe que tem algo diferente. Aquele medo inconsciente começa a tomar formas e proporções maiores. O papai fala, a titia fala. Pesquisa no Google, onde pela primeira vez a palavra aparece: AUTISMO. Mateus apresenta os sintomas mais clássicos: não atende pelo nome, evita o olhar, gira objetos, vive em seu mundo particular. Buscamos então o primeiro profissional: Neuropediatra. Começam as preocupações. Meses para uma consulta. No meio de uma pandemia. No primeiro atendimento, o médico não descarta a possibilidade. Porém é cedo demais. “Espera mais um pouco”. Quantos pais já não ouviram isso, e com esse pensamento o tratamento vai atrasando mais e mais. “Volta quando ele tiver com 18 meses”. Voltamos. Marca consulta com psicóloga especializada. Não podemos laudar sem descartar problemas auditivos. Marca um Bera. Marca o retorno. E tudo isso são dias, meses para consultas, atendimentos, exames. No mês que o Mateus completou dois anos retorno no neuro. O laudo é claro: AUTISMO NÍVEL 3. Depois que lí essas palavras meu cérebro entrou em off. Não consegui ouvir mais nada do que o médico falava. Era como se estivesse falando em mandarim. A sensação física foi como se eu estivesse caindo em queda livre. Cheguei no carro e chorei. Era a confirmação do meu medo, em nível acima do que eu imaginava. Nesse momento a pergunta latente: Por que? Por mais que nos digam que o autismo tem causas desconhecidas, que são diversos fatores, inclusive genéticos, o porquê sempre paira. A culpa também. Passado o primeiro impacto, vida que segue. E agora? A primeira batalha, o laudo, foi vencida. Mas a luta é longa, constante, diária, cansativa. A busca por profissionais sérios. Durante minha jornada me deparei com muitas frustrações. Gente sem preparo para lidar com o autista e com os pais do autista. Alguns lugares o dinheiro fala mais alto. Outros já me disseram que não estavam preparados e praticamente convidaram meu filho para sair. Muitos não gostam da cobrança por resultados, os questionamentos sobre o que está sendo trabalhado. Plano de saúde não cobre. Batalhas judiciais. E no meio disso tudo está uma família. Uma criança que não é compreendida. Pais que sofrem, que se cansam, que lutam exaustivamente pelo melhor, pelos seus direitos. Pensando sobre isso eu e meu esposo sentamos e conversamos muito. Choramos. Compartilhamos nossos medos, dúvidas, expectativas. E naquele dia, naquela conversa, olhamos para o nosso filho. Um menino perfeito. E decidimos encarar a vida leve. Que o diagnóstico não iria tirar a nossa alegria. Quando paramos para olhar a nossa família vimos que temos muito mais a agradecer do que reclamar. Aceitamos o desafio. E está dando certo. Não posso negar que há dias mais complicados. Que ideias de crise. Dias de desânimo. E ainda sim, dias de choro, dias de por que. Mas são muito menores que os dias de sol. Os dias de piscina. Os dias de pequenas vitórias. Das novas palavras. Dos novos aprendizados. Das evoluções. Percebi que muitas vezes meu erro foi comparar meu filho com outras crianças. Meu filho é único, e no processo de evolução, preciso comparar ele com ele mesmo. E ele foi gigante! Em um ano houve avanços fantásticos. E esse é o motivador que me faz ir em frente todos os dias. Olhar para ele. Ver que ele está bem, está evoluindo e principalmente está feliz. Esse mês foi a primeira vez que ele participou de uma formatura. Cantou e dançou. lguaI qualquer criança típica. Vendo ele lá em cima, meu filho! Meu Mateus me traz tantas alegrias! Tanto Amor! A minha felicidade em ver que todos os tratamentos e terapias dão certo. É perceptível que uma equipe multidisciplinar responsável, séria, alinhada, trabalhando em prol da criança, dá resultado, e muito resultado. Um sentimento de gratidão, enorme por todas as profissionais que trabalham diariamente com meu pequeno com tanta dedicação. O tratamento correto é a chave do sucesso. A minha luta é por igualdade e respeito. Para olhar para o ser humano fantástico que está na sua frente! Não cair na armadilha de olhar para um autista, e sim para uma pessoa que possui alguns traços peculiares. Que pensa diferente, mas se sente igual. Sente amor e sente medo. O nosso desafio é aprender a olhar com o coração.
DAIANE: “- Nosso filho sempre foi uma criança muito sorridente e alegre,atingiu todos os marcos de desenvolvimento até os 2 anos. Foi um susto muito grande quando nosso pequeno Levi parou de falar com 2 anos e 4 meses, foi quando levamos ele no neuropediatra e começou a fazer terapia ocupacional e Fono. Com 3 anos e 1 mês levamos o Levi em outra neuropediatra, quando ele foi pré-diagnosticado com TDL (Transtorno de Linguagem). Então Levi passou a fazer Fono, Terapia Ocupacional e Terapia Comportamental. Com 3 anos e 9 meses voltamos na neuropediatra e ela passou terapia ABA para o Levi, e foi aí que conhecemos a profissional Josilda – para nos ajudar com a intervenção ABA e estamos tendo bons resultados. Quero agradecer a todas as profissionais que ajudam nosso pequeno a se desenvolver cada dia mais. Quero deixar meu “muito obrigada” a todas as profissionais que trabalharam e trabalham em prol do desenvolvimento do Levi, em especial à Fono Jozani Alves, Psicólogas Josilda Lima e Daniela Miyashita e Musicoterapeuta Bárbara Virgínia.”